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- The Verge AI
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A Midjourney lançou um vídeo de bastidores de quase 20 minutos do seu scanner de ultrassom tipo tanque de imersão — um dispositivo que a empresa de geração de imagens com IA afirma ser capaz de oferecer imagens médicas detalhadas, baratas e sem radiação em spas — sem mostrar o aparelho produzindo um único exame verificado.
As imagens, divulgadas diretamente pela Midjourney, percorrem o scanner físico — um compartimento estilo tanque projetado para submergir o paciente em água, que atua como meio de transmissão para as ondas de ultrassom e pode melhorar a resolução das imagens em comparação com as sondas tradicionais de contato com gel. O hardware parece refinado e desenvolvido para uma finalidade específica. O que ele não mostra é um exame funcionando: nenhuma saída de imagem, nenhuma comparação com uma ressonância magnética ou tomografia de padrão clínico, nenhum dado de paciente, nenhuma aprovação de radiologista.
Segundo o The Verge, o vídeo levanta mais perguntas do que respostas. A afirmação central — de que o dispositivo pode produzir imagens detalhadas e diagnosticamente úteis a um custo baixo o suficiente para estar em um spa — permanece sem respaldo em qualquer evidência pública.
Para quem acompanha empresas de IA que se expandem para produtos físicos, o padrão aqui é familiar: design industrial impressionante, afirmações ousadas e uma ausência conspícua das evidências que realmente importariam — estudos de imagem revisados por pares, registros de aprovação pela FDA ou mesmo uma comparação lado a lado com um padrão diagnóstico existente.
A física do ultrassom é bem compreendida. O ultrassom por imersão em água é uma técnica real, utilizada em ambientes clínicos especializados, particularmente para imagens mamárias. Mas escalar isso para um dispositivo voltado ao consumidor em spas que promete transformar a medicina é um desafio enorme de engenharia, regulamentação e validação clínica. Nenhum desses obstáculos parece ter sido superado — ou sequer abordado publicamente.
Para a base de usuários existente da Midjourney — principalmente criadores de imagens com IA — o projeto do scanner é essencialmente uma iniciativa paralela sem nenhuma sobreposição em ferramentas ou fluxo de trabalho. A empresa não indicou que sua pesquisa em IA de imagens médicas retroalimenta seus modelos generativos de imagem, e não há um roadmap público conectando os dois.
O CEO da Midjourney, David Holz, enquadrou o scanner como um projeto de missão de longo prazo, não um produto de curto prazo. Esse enquadramento importa: ele sinaliza que a empresa está confortável em fazer afirmações públicas sobre tecnologia transformadora em um cronograma que não exige comprovação imediata. Essa é uma postura que vale a pena monitorar para qualquer pessoa que depende dos compromissos de roadmap da Midjourney para seu próprio trabalho criativo.
A plataforma principal de geração de imagens da empresa continua evoluindo — o Midjourney V7 e seu editor baseado na web têm sido as entregas concretas mais recentes — mas o projeto do scanner consome atenção executiva e espaço narrativo. Quando a história pública de uma empresa deriva em direção a ambições de hardware não verificadas, isso pode ser um sinal precoce de dispersão estratégica.
Os 20 minutos de duração do vídeo são, por si só, reveladores. É tempo suficiente para sugerir transparência, mas a ausência de qualquer saída de imagem nesse tempo é o detalhe que fica. Uma demonstração genuína de prova de conceito começaria pelo exame, não pelo tanque.